
Ganhar espaço no campo da informação, ter voz e dar a palavra, garantir a ética no acto comunicacional são exercícios fundamentais no
actual panorama universitário. Por isso saudamos a presente iniciativa jornalística, formulando votos de sucesso e longa vida.
Na realidade, a conjuntura que se vive na universidade portuguesa é complexa e exige a participação séria e ponderada de todos os interessados,
de forma a ultrapassar a encruzilhada que se vive. As alterações estruturais derivadas do processo inerente à Declaração de Bolonha
cruzam-se com situações asfixiantes no campo orçamental. Vive-se o garrote do muito curto prazo, com múltiplas e desagradáveis consequências,
o que inviabiliza projectos a longo prazo, não dando margem a grandes reflexões. A estas alterações vem juntar-se um novo pacote
legislativo para o ensino superior, do qual emerge para já uma única certeza: a universidade portuguesa não será mais o que é.
A FLUP não foge a este quadro geral, agravado pela secundarização das línguas e das humanidades nas actuais preocupações governamentais
de formação e na procura social, o que facilita a persistência de processos de sub-financiamento baseado na adopção de critérios e de “ratio”
insustentáveis para a maioria dos cursos de 1º grau e a indicação de não financiamento para os futuros cursos de 2º e 3º graus. Exigem-se,
neste campo, medidas governamentais urgentes, sob pena da decapitação das escolas destas áreas de ensino, inviabilizando não só a FLUP
como outros estabelecimentos congéneres.
Pela sua parte, a FLUP tem realizado o que lhe é exigido, procurando perspectivar o horizonte ainda um pouco mais além: todos os cursos a
funcionar já estão adequados a Bolonha, criaram-se cursos novos, equacionaram-se novos planos de estudo, conceberam-se aplicações de
novos métodos de ensino/aprendizagem. Em simultâneo, tomam-se as medidas administrativas que o quadro legal permite em termos de
gestão de recursos.
O actual quadro é de mudança, o que traz, inevitavelmente, grandes alterações e dificuldades institucionais para os que trabalham na FLUP,
mas, para os alunos, o futuro só poderá ser melhor: cursos mais breves, reconhecimento internacional imediato, maior flexibilidade, maior
exigência, maior qualidade. No mar encapelado das dificuldades, há lugar para a esperança!
Duas Palavras
Publicada por
MrapSilva
as
1:25:00 p.m.
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